terça-feira, 22 de março de 2011
Café
nos damos conta da oportunidade perdida muito tempo depois,
revisitando os acontecimentos sob a luz dos "e se..". E nessas horas
ficamos esperando, pacientemente, o retorno da chance perdida, um novo
olhar, um novo sorriso, um novo café.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Ausência
Hoje acordei, com medo de olhar pro lado, de te saber ausente, soluçando minha saudade.
Faz anos que seu assobio não ecoa mais na saída do colégio, chamando um neto que já deixou há muito a inocência da infância.
Será que algum dia vai doer menos?
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Bottomline
Você veio e foi embora.
Você me deu e me roubou.
Eu luto, mas é inútil.
Te odeio por te amar.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Sonhos
Na noite, insone, solto minha mente e navego livre, buscando algo em que me afirmar, algum sonho bom, mesmo que para despertar com a chegada do sol, as doze badaladas da minha carruagem de abóbora.
Não encontro.
Meu sono de um ano foi como tantos outros. Um toque de sonho aqui e ali, apenas para dar um sabor, deixar vontade. Vontade de voar de novo, dançar, cantar e sorrir.
Mas logo chega o dia,e os sonhos repousam no travesseiro vago, evaporando sob o sol da manhã.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Retrospectiva

2008 foi um ano de reconstrução. De juntar os cacos, fazer curativos, riscar o passado. Foi um ano de amar muito, e não importa que não tenha dado em nada. Valeu o amar, o saber que ainda é possível sentir isso, que as cicatrizes não petrificaram o coração. Foi um ano de escrever, de maneira inconstante, mas honesta, aberta. De ir em frente, arriscar, de largar o guarda-chuva em casa e sentir o gosto da água que cai do céu, mesmo que seja fria e imprevisível. De escutar meu nome nos ecos soprados pelo vento, tentar responder e não encontrar nada lá. De aceitar que, embora a companhia faça toda a diferença, isso não é algo que se arranca de alguém.
Foi o ano de casa nova, de corpo e alma. De escrever os erros na parede da sala, para não me esquecer deles, e guardar os acertos em envelopes na cabeceira da cama, para saborear mais uma vez antes de dormir. Foi neste ano que eu quis congelar o tempo, rodar horas para trás, escutar outros sons, ir a outros lugares, ver outras pessoas, provar outros sabores, me envolver noutras cores.
Reconstruí meu castelo, mas com portas amplas, sem chave na porta, para meus amigos entrarem. Cuidei do meu tempo, do meu futuro e do meu passado, mas ignorei um pouco o presente. Me vi de repente em turbilhões, querendo despertar para me descobrir em meio a um sonho tumultuado.
Está quase acabando. Daqui a pouco vejo o que está realmente acontecendo à minha volta. O pior já foi, agora é só esperar a poeira baixar.
Natal

Não me importa o lado religioso da coisa tampouco o aspecto consumista.
Eu gosto de Natal porque é a época na qual eu reencontro pessoas que são importantes para mim, e quando eu entro naquela retrospectiva de "como eu cheguei aqui?", quando começo a esboçar os planos de "para onde eu quero ir, quem vai comigo, quem fica no passado?"
Sempre imagino que o telefone vá tocar, que alguém do outro lado me surpreenderia e que eu, atordoado, cairia de joelhos no chão tentando juntar as palavras que me teriam caído das mãos, tentando montar uma resposta, tentando dizer o quanto significa para mim saber que sou importante para alguém.
Neste Natal, antes de chegar à árvore, recebi os melhores presentes; os telegramas não eram de aracaju nem do alabama, mas me senti como criança ganhando doce ao ver as mensagens chegando no celular.
Um feliz Natal, uma feliz vida, tudo de bom para todos.
Agradeço aos meus amigos por fazerem parte da minha vida, um beijo enorme, um abraço apertado, e mais pieguice no natal do ano que vem.

