
E ao encontrá-la, ele se retirou para a montanha, e, cinzel na mão, cavou da pedra o seu templo. Esculpiu imagens e palavras na rocha crua, e acendeu velas e trouxe flores em sua honra.
Seu templo era algo íntimo, próprio, particular seu. Não colocou placas nas estradas nem avisos nas cidades. Os que dele sabiam eram aqueles que o flagravam em seu caminho para a montanha, cinzel e martelo nas mãos calejadas. E ela encontrou o templo, e ao passar por ali, não sentiu o calor das velas ou o perfume das flores, e passou. Se por desgosto ou intimidação, nunca soube.
Um dia ela retornou, e ao ver as flores secas e as velas apagadas, perguntou ao vento, num murmúrio, o que havia acontecido. E o vendo carregou sua pergunta para o templo, que se acendeu novamente, as chamas amarelas aquecendo as paredes frias de pedra.
domingo, 23 de novembro de 2008
O templo
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introspecção
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