terça-feira, 29 de abril de 2008

Chove


Chuva pesada nessa cidade cinzenta, lavando as ruas, lavando as almas.
Dia escuro, a noite chega mais cedo... ou nem foi embora? O cinza da manhã é um resto da noite preguiçosa de ontem se recusando a partir? Ou seria um prólogo da noite de hoje, se antecipando ao tempo?

A chuva molha, a chuva lava, é o mundo chorando a morte dos que se foram, as perdas, frustrações, desilusões. É um desabafo, não o choro contido na sala do cinema, mas o pranto descontrolado debaixo do chuveiro.

Mas a chuva vai passar, e a gente segue em frente, os pés se encharcando nas poças, esperando um céu azul pra amanhã.

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