Ela estava ali, fazendo suas coisas de rosa. E eu ali, passando ao largo, quase não a noto. Tímida, retraída, mas ao mesmo tempo feroz, seus espinhos pontiagudos ameaçando quem se aproximasse. Parei, sem saber direito por que, e observei. E vi como a cada pétala que se abria, uma ainda mais fina e delicada se mostrava. Vi o suave rendado de suas folhas, os espinhos afiados, seu caule forte.
Como pôde uma rosa, vista de relance, me capturar a atenção deste modo? Como ela, sem fazer nada, me conquistou assim? Por que eu me deixei derrubar deste modo?
Não sei.
Só sei que ela me encanta, e a cada nova pétala aberta, mais quero ver e acompanhar. Quero abraçá-la, me ferir em seus espinhos, mas em meu abraço protegê-la do frio no jardim. Regar-lhe néctar, escutar-lhe queixas, enxugar-lhe o pranto. Quero estar ali para conhecê-la pelo cheiro, pelo farfalhar das folhas, e sim, também pelo arranhar do espinho. Porque vem tudo junto, não quero deformá-la podando as folhas rasgadas, cicatrizes de batalha que a trouxeram até aqui. Não quero tirar os espinhos que ela custou a polir e afiar, não quero mudá-la. Aceito-a como ela é, assim, marcada, sem tirar nem pôr, e é para mim perfeita, porque, mesmo que sem querer, foi essa rosa que me cativou.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
A Rosa
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amar
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