
(...)
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar
(...)
("Ana e o Mar", d'O Teatro Mágico, por Fernando Anitelli)
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Ana e o Mar
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Sonhar

Certa vez sonhei que voava. Por acaso, ganhei consciência do estado de sonho e consegui controlar o que acontecia. Nunca aconteceu de novo.
Hoje eu sonhei que voava, e o despertador me trouxe de volta à realidade, e fica um resquício de frustração, por saber ser apenas um sonho.
Alguns dizem que deveríamos poder escolher o que sonhar.
Para mim, escolher o que não sonhar já seria um grande progresso. Evitaria a frustração do despertar.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Chove

Chuva pesada nessa cidade cinzenta, lavando as ruas, lavando as almas.
Dia escuro, a noite chega mais cedo... ou nem foi embora? O cinza da manhã é um resto da noite preguiçosa de ontem se recusando a partir? Ou seria um prólogo da noite de hoje, se antecipando ao tempo?
A chuva molha, a chuva lava, é o mundo chorando a morte dos que se foram, as perdas, frustrações, desilusões. É um desabafo, não o choro contido na sala do cinema, mas o pranto descontrolado debaixo do chuveiro.
Mas a chuva vai passar, e a gente segue em frente, os pés se encharcando nas poças, esperando um céu azul pra amanhã.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
O Só e a Rosa

É, nem sempre dá certo.
Não se colhe uma rosa só pelo desejo de acolhê-la. Não se cativa quem não se permite ser cativado.
E assim, é com certa tristeza que sigo em frente, cabisbaixo, novamente só. Desejo que a rosa fique bem, que encontre alguém que lhe regue e acolha como eu o faria. E que saiba que se precisar de mim, estarei aqui, e que se mudar de idéia, que não hesite em me chamar; talvez não seja tarde demais.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
A Rosa
Ela estava ali, fazendo suas coisas de rosa. E eu ali, passando ao largo, quase não a noto. Tímida, retraída, mas ao mesmo tempo feroz, seus espinhos pontiagudos ameaçando quem se aproximasse. Parei, sem saber direito por que, e observei. E vi como a cada pétala que se abria, uma ainda mais fina e delicada se mostrava. Vi o suave rendado de suas folhas, os espinhos afiados, seu caule forte.
Como pôde uma rosa, vista de relance, me capturar a atenção deste modo? Como ela, sem fazer nada, me conquistou assim? Por que eu me deixei derrubar deste modo?
Não sei.
Só sei que ela me encanta, e a cada nova pétala aberta, mais quero ver e acompanhar. Quero abraçá-la, me ferir em seus espinhos, mas em meu abraço protegê-la do frio no jardim. Regar-lhe néctar, escutar-lhe queixas, enxugar-lhe o pranto. Quero estar ali para conhecê-la pelo cheiro, pelo farfalhar das folhas, e sim, também pelo arranhar do espinho. Porque vem tudo junto, não quero deformá-la podando as folhas rasgadas, cicatrizes de batalha que a trouxeram até aqui. Não quero tirar os espinhos que ela custou a polir e afiar, não quero mudá-la. Aceito-a como ela é, assim, marcada, sem tirar nem pôr, e é para mim perfeita, porque, mesmo que sem querer, foi essa rosa que me cativou.
Um ano

E faz um ano que mudei de vida. Um ano desde que acabou meu casamento. Sinto saudade das coisas boas, mágoa pelas ruins, tristeza pela perda, alívio pelo recomeço. Foram 7 anos, não dá pra fingir que não existiu, que não importou. E é importante se lembrar dessas coisas. Uma amiga certa vez me disse que ela anotava em um diário tudo o de ruim que lhe fizeram para que ela não esquecesse nunca, para não se permitir fazer aquilo a outros. Eu a entendo.
Não foi fácil, este ano. Muitas, muitas mudanças, muitas alterações de estado, de disposição... É estranho olhar pra trás e ver que faz um ano. Curioso como o tempo não é absoluto. Um ano é muito e pouco ao mesmo tempo. O passado de um ano é ao mesmo tempo remoto e recente.
Nesse ano aprendi muitas coisas, cresci, lutei, sobrevivi... e descobri que quem mais te machuca é quem você confia pra lhe guardar as costas. E justamente por isso é que me preocupo tanto em não machucar ninguém.
